terça-feira, 10 de abril de 2012

Marinharia (5)


Com a vela rizada, a tripulação da pequena dorna não
se intimidou com o vento que encarneirava a ria.

A prática e difusão de conhecimentos de marinharia tradicional são tratadas com a mesma importância que os barcos. As tripulações mostram desenvoltura nas fainas de uma grande escuna ou fazendo um bordo numa pequena “dorna polveira” com sua “vela de relinga”. Uma das regatas é dedicada ao uso alternado de remos e velas montando e desmontando os aparelhos durante o deslocamento como faziam os pescadores em seu dia a dia.

Sobre o gurupés, recolhendo vela.
Alternando remo e vela.

Barcos (4)

Galions Novo Sofia (e) restaurado e Illa de Cortegada (d), uma belíssima réplica .

Encontrei belas embarcações cuidadosamente restauradas e outras de construção recente que reproduzem tipos em vias de desaparecimento e até mesmo revivem alguns já desaparecidos por completo. Neste ultimo caso, merece destaque a Nova Marina, uma “lancha xeiteira”, modelo usado na pesca do “xeito”, tipo de rede das tradições galegas. Foi construída há vinte anos, com base nos restos de uma outra chamada Marina, esta encontrada coberta por água e areia numa numa área alagada e recuperada num delicado trabalho de arqueologia na mesma época da realização da primeira edição do Encontro de Embarcações Tradicionais.
A lancha xeiteira Nova Marina

Também chama a atenção o “galion” Illa de Cortegada. Réplica de antigos cargueiros a vela como o recentemente restaurado Novo Sofia. que mostram coincidências curiosas com os grandes saveiros da Bahia. Uma delas era o tipo de carga transportada; cerâmica produzida nas olarias da região.
A construção de barcos como estes ajuda a manter vivas as técnicas de carpintaria naval dos estaleiros tradicionais, as “carpintarias de ribeira”.

O Illa de Cortegada.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O encontro (3)

(continuação)
O som das gaitas de fole tem um efeito mágico
de reunir esse povo e a música tradicional está
presente em todos os momentos.
Estavam inscritos mais de 150 barcos e um número de tripulantes superior a 650. Enquanto chegavam ao porto se ouvia, cada vez mais próxima, uma gaita de fole acompanhada de tambores. O gaiteiro e suas duas acompanhantes fazem parte de uma tripulação. Desembarcam num pier flutuante e sem parar de tocar sobem a rampa e percorrem o grande cais de pedra. O trio espalha alegria enquanto segue em direção à tenda da cerveja onde todos param em algum momento com muita música e conversa. Muitos grupos musicais se apresentam durante o evento mas o que mais impressiona é como os músicos se misturam informalmente a às atividades contribuindo para o clima de festa. 
A programação é variada e inclui oficinas de carpintaria e veleria, palestras e debates sobre temas como “turismo e embarcações tradicionais” e “regulamentação de embarcações tradicionais”, exibição de documentários e debate com seus realizadores, exposições de fotografia, teatro de rua, poesia e muita música.


A tradicional vela de relinga.
A estrutura já mostra as formas
elegantes do novo barco.






 Fotografia e poesia marinheira.

Marinheiros músicos



domingo, 8 de abril de 2012

Carril (2)


(continuação do post anterior)
Barcos de pescadores e aquicultores repousam no fundo durante a maré baixa.

A vila marinheira, na margem Sul da Ria de Arousa, já é em si uma atração com suas construções em pedra típicas da região e muita história. Fundada por volta de 1500, guarda memórias ainda mais antigas de celtas, romanos e vikings. Carril foi durante muito tempo o porto da cidade de Santiago de Compostela e hoje oferece bom abrigo às embarcações de pesca. A produção de moluscos é uma atividade importante e nos bares e restaurantes se destacam os frutos do mar, bons vinhos e cervejas.

"Tapas" ao cair da tarde.
(foto: Felipe Egito Vellez)

Viajar com filhos exige mante-los
alimentados e hidrtados.


É pau, é pedra, é o Finisterre... (1)


Barcos de madeira e casas de pedra são marcas de uma região que os romanos consideravam o fim da terra.

Igreja de Santiago de Carril
O Cabo Fisterra na Galicia não é o ponto mais ocidental da Europa mas é fácil entender por que ele inspira essa sensação a quem ali, de costas para o continente, contempla a imensidão desafiadora do Atlântico.
Perto dali, em Carril, aconteceu entre 29 de junho e 3 de julho de 2011, o X Encontro de Embarcações Tradicionais da Galicia. Fui para lá com grandes expectativas e todas elas foram superadas pelo que encontrei.


Para os que não tiveram acesso à revista e para os que quiserem interagir

Destaco dois motivos que fazem esta matéria da Velejar muito importante para mim.
Em primeiro lugar participar deste encontro era um sonho de algum tempo. Além de conhecer os barcos e tradições galegos em seu ambiente, esperava aprender sobre o evento que acontece há 20 anos, as instituições e o movimento que lhe dão suporte. Esperava ainda que esta experiência pudesse ser útil aos que aqui lutam pela preservação de nossas embarcações tradicionais e cultura náutica.
Em segundo, a partir de sua publicação, passo a compartilhar de maneira mais efetiva meu trabalho como era minha intenção faz algum tempo.

Marinheiros na goleta Raquel C.
Para os que não tiveram acesso à revista e também para os que quiserem interagir, reproduzo a partir do próximo post, o texto e algumas fotos do artigo. Aguardo seus comentários, críticas e questionamentos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

X Encontro de Embarcacions Tradicionais de Galicia

Acaba de sair a edição 53 da revista Velejar com a minha matéria sobre o X Encontro de Embarcacions Tradicionais de Galicia. Coordenado pela “Federación Galega pola Cultura Marítima e Fluvial”, o encontro acontece a cada dois anos em um porto diferente da Galícia. Nesta edição, acontecida em Carril, tiveram papel importante a “Asociación Cultural Depotiva Rompetimóns de Carril” e principalmente o povo desta bela vila marinheira.
Um trabalho que, pela beleza e importância do tema, me deu grande prazer e ao qual dediquei todo o esforço que me foi possível e agora será um grade prazer compartilhar um pouco destas emoções com vocês.