Acaba de sair a edição 53 da revista Velejar com a minha matéria sobre o X Encontro de Embarcacions Tradicionais de Galicia. Coordenado pela “Federación Galega pola Cultura Marítima e Fluvial”, o encontro acontece a cada dois anos em um porto diferente da Galícia. Nesta edição, acontecida em Carril, tiveram papel importante a “Asociación Cultural Depotiva Rompetimóns de Carril” e principalmente o povo desta bela vila marinheira.
Um trabalho que, pela beleza e importância do tema, me deu grande prazer e ao qual dediquei todo o esforço que me foi possível e agora será um grade prazer compartilhar um pouco destas emoções com vocês.
O Brasil é o país com maior número de embarcações tradicionais e em nenhum outro a navegação foi tão importante na conquista, ocupação e defesa, não só de territórios litorâneos mas também interiores.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Soltando as amarras
Finalmente retorno a este blog que deixei preso ao cais durante mais de um ano e meio. Espero que ele se torne uma ligação cada vez mais dinâmica com os amigos que queiram participar destas aventuras por nossa Cultura Marinheira em busca de elementos de nossa identidade como indivíduos e coletividade.
Vou retomar a narrativa da viagem pela Ribeira e Mar Pequeno e outras como o X Encontro de Embarcações Tradicionais da Galicia, Canyon do Rio São Francisco, mangues da Juréia, museus, Represa Billings...
O importante é que ha muitas histórias a serem contadas e muitas mais a serem vividas.
Vou retomar a narrativa da viagem pela Ribeira e Mar Pequeno e outras como o X Encontro de Embarcações Tradicionais da Galicia, Canyon do Rio São Francisco, mangues da Juréia, museus, Represa Billings...
O importante é que ha muitas histórias a serem contadas e muitas mais a serem vividas.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Carta do Peabiru
Poderes Públicos (executivo e legislativo), associações (ambientalistas, moradores, produtores rurais, empresários do comercio, indústria e serviços), e demais entidades civis organizadas e vinculadas à região da fronteira sul do estado de S. Paulo,
considerando que:
- há milênios a sabedoria indígena fixou a trilha no traçado mais favorável tornando-se até hoje o melhor e mais lógico caminho para circulação na região;
- a importância histórica do caminho do Peabirú-Canha, por ser a estrada mais antiga do Brasil - aberta oficialmente por Pero Lobo sobre a mais importante trilha indígena de existência milenar não pode ser esquecida;
- a região foi preservada por programas oficiais, sobretudo pelo esforço privado e de entidades de atuação local;
- graças a este esforço de atuação local que possibilitou a preservação ambiental desta região, o modelo de desenvolvimento sustentável, outrora embrionário, vem se desenvolvendo para tornar-se modelo no nosso Estado;
- o aumento da preservação ambiental nos últimos anos obtidos no Estado, foi alcançado em nossa região, notadamente pelo esforço da iniciativa privada;
- por questão de justiça a região do Litoral Sul e Vale do Ribeira deverá integrar-se ao desenvolvimento econômico e social do estado de São Paulo;
- para que haja melhoria dos indicadores sociais e econômicos regionais serão necessários investimentos em infra-estrutura que possam viabilizar os projetos de desenvolvimento sustentável, particularmente aqueles de cunho eco-turístico;
- face ao reconhecimento das potencialidades e oportunidades geradas pela preservação ambiental desta região, e do amadurecimento dos atores do processo, a antiga trilha Peabirú – Canha - que hoje se denomina SP-193 - torna-se o melhor eixo lógico para circulação da produção e de fomento às atividades do ecoturismo;
- as mesmas forças que até hoje encontraram condições adversas para o desenvolvimento de um projeto eco-turístico, chegaram a um resultado modelar de equilíbrio entre produção local e preservação, e detêm conhecimentos acumulados destas atividades, não podendo ser dispersos ou mesmo desprezados no processo de planejamento futuro;
- o movimento deve ser encarado como uma política pública multisetorial, com interface nas áreas: social, econômica, ambiental, turística, agrícola, de abastecimento, de integração regional;
resolvem firmar o presente protocolo de intenções nos seguintes princípios:
1. Juntar todos os esforços locais, pessoais e materiais a fim de contribuir para a sensibilização da população local e de outras regiões, e ainda, a divulgação sobre sua importância histórica, ambiental, produtiva e de integração regional;
2. Realizar eventos e campanhas locais que resgatem essa importância em todos os aspectos e a verdade histórica da SP 193;
3. Desenvolver planos que promovam o desenvolvimento sustentável da região e que estejam ligadas ao movimento para a pavimentação da SP 193;
4. Promover a capacitação dos recursos humanos envolvidos nos programas de divulgação da história, patrimônio ambiental, geologia e paisagismo;
5. Participar do planejamento global de um Projeto de Desenvolvimento Sustentável que objetive a redenção econômica equilibrada com a preservação do patrimônio histórico, ambiental e paisagístico;
6. Propor no âmbito de suas esferas de atuação medidas que consolidem os princípios gerais do plano desenvolvido coletivamente;
7. Participar ativamente da elaboração do plano, colaborando de forma democrática e dentro de suas possibilidades e atribuições específicas com recursos (de pessoal, materiais e financeiros) disponíveis para o sucesso da campanha;
8. Participar ativamente da Comissão do Movimento SP 193; 9. Atribuir ao asfaltamento do trecho final da SP 193 de caráter prioritário de urgência e impostergável. Para tanto firmamos o presente,
José Tarcízio Pereira Presidente da comissão SP 193
Yutaka Ishida Presidente da ACBNIBRA
Nilvana Pasini Ongarato de Oliveira Ass. Com. e Empres. de Jacupiranga
CARLOS ALBERTO PUZZI DIRETOR REGIONAL DO CIESP
Jacupiranga, 03 de julho de 2010.
Rios e estradas
Começarei esta semana, no Quilombo Ivaporunduva, minha tão sonhada viagem pelo Ribeira e Mar Pequeno em busca de suas canoas e tradições.
Aproveito para participar de um evento muito importante que amigos estão promovendo na região. Vou publicar a seguir algumas coisas que eles me enviaram.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Cultura e identidade
canoas caiçaras - Conceição de Jacarei, RJ
O mapa do Brasil foi desenhado pelos que navegaram continente a dentro ao longo de nossas bacias hidrográficas
Em cada região, tipos de embarcação foram criados em função das necessidades locais e da matéria prima disponível.
Aqui sobrevivem técnicas de construção naval da época do descobrimento e até anteriores, como as canoas escavadas em um único tronco ou moldadas em casca de árvore.
Nos últimos anos a qualidade e originalidade do trabalho desses construtores vem chamando a atenção de pessoas de outras regiões e mesmo de outros países que procuram a Bahia, o Maranhão e a Amazônia para construir seus barcos. Enquanto isso, grande parte deste patrimônio cultural está em vias de se perder para sempre.
Wanda Maldonado, em sua tese de mestrado "Da Mata para o Mar..." nos mostra como a construção e uso da canoa nas comunidades caiçaras em Ilhabela, SP, se revestem de importância muito além de questões econômicas e operacionais, sendo parte da identidade do grupo e de seus indivíduos.
Não me parece temerário afirmar que nossa identidade nacional tenha esta cultura náutica como um dos seus principais elementos desde suas mais remotas origens. Documentar, preservar e compreender esta cultura é um meio do povo brasileiro se conhecer melhor. Ações nesse sentido são urgentes e imprescindiveis.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Marinheiros de nascença
Há 500 anos os europeus, portugueses em particular, levaram a arte-ciência da navegação a um novo estágio. Grandes frotas cruzaram os oceanos em busca de riquezas e conquistas. Sob este signo nasce o Brasil.
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| ilustração de ”Viagem Filosófica…” |
Com 8000 quilômetros de litoral , uma rede de rios navegáveis de extensão incalculavel e a maior variedade de tipos de embarcações tradicionais do mundo, somos uma nação de navegantes.
Certamente não há outro país em que a navegação tenha sido tão importante na conquista, ocupação e defesa não só da costa como de territórios interiores.
sábado, 21 de agosto de 2010
Árvores e barcos
Há alguns anos estava na Marina da Glória, Rio de Janeiro, admirando a elegância de um veleiro de madeira do tipo que navegava por minhas fantasias desde os tempos de criança. Notei uma placa de bronze no cock-pit, ao lado da entrada da cabine, com alguma coisa escrita em inglês.
Dizia mais ou menos: “Se Deus quisesse que os homens tivessem barcos de fibra de vidro, teria feito árvores de fibra de vidro.” Um pouco exagerado, mas os barcos de madeira despertam paixões.
A primeira embarcação talvez tenha sido um tronco de arvore levado pela correnteza de um rio, ao qual o primeiro marinheiro se agarrou para não se afogar. Esta ligação árvore – embarcação é tão forte que, ainda hoje, barcos construídos em fibra de vidro e resina, alumínio ou aço, tem seus interiores revestidos de madeiras nobres.
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